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Robô de cozinha STEAMA prepara refeições em 90 segundos

há 12 minutos
5 min de leitura
Bowl de ramen fumegante com ovo e nori na bancada, ao lado de máquina preta em cozinha de restaurante.
STEAMA cozinha refeições em cerca de 90 segundos

Um recipiente com noodles congelados entra na máquina e, cerca de 90 segundos depois, sai quente, com caldo, ingredientes e a textura que a fabricante pretende aproximar de uma preparação recém-finalizada. O robô de cozinha STEAMA, desenvolvido pela SoftBank Robotics, combina alimentos formulados para o equipamento com vapor de alta temperatura e pressão e começa a ganhar espaço na estratégia internacional da empresa para o foodservice.


A tecnologia será uma das atrações levadas pela SoftBank Robotics à EquipHotel 2026, feira de hotelaria e alimentação que acontece em Paris entre 2 e 5 de novembro. Ao lado de outros sistemas automatizados, o STEAMA será apresentado a operadores europeus em um momento no qual a empresa amplia sua atuação fora do Japão.


A história, porém, vai além da velocidade de preparo. O que torna o equipamento interessante para o mercado de alimentação é a maneira como ele aproxima três universos que durante muito tempo seguiram trajetórias relativamente separadas: comida congelada, equipamentos profissionais de cozinha e automação.


Como funciona o robô de cozinha STEAMA


O processo começa antes de o alimento chegar ao equipamento. Os pratos são desenvolvidos ou adaptados especificamente para o sistema e armazenados congelados. No momento do serviço, o operador posiciona o recipiente na máquina e aciona o ciclo de preparo.


Segundo a SoftBank Robotics, vapor em alta temperatura e pressão distribui calor pelo alimento e chega ao centro dos noodles de forma uniforme. A empresa afirma que o método permite recuperar características como elasticidade da massa, umidade dos ingredientes e aromas do caldo durante a finalização. O ciclo leva aproximadamente 90 segundos.


Essa diferença é relevante porque o STEAMA não funciona simplesmente como um equipamento destinado a descongelar uma refeição pronta. A proposta comercial está na finalização do produto congelado dentro do próprio sistema, usando o vapor para entregar uma preparação quente no momento do consumo.


Ramen, udon e pasta estão entre os exemplos apresentados atualmente pela fabricante. No anúncio feito para a EquipHotel, a SoftBank também menciona que a mesma tecnologia possui potencial para aplicações em pratos como risoto e dim sum. Essa parte merece uma distinção: a empresa fala em potencial de expansão da tecnologia, e não em um catálogo já estabelecido de risotos e dim sum disponíveis comercialmente no STEAMA.


De ramen congelado a uma plataforma de foodservice


Parte importante da proposta gastronômica do STEAMA está na relação com a TAKUMEN, plataforma japonesa especializada em ramen congelado premium.


Segundo informações divulgadas pela SoftBank Robotics, a TAKUMEN havia vendido mais de 5 milhões de porções até o final de 2025, reunia aproximadamente 570 mil membros e havia trabalhado com mais de 800 restaurantes de ramen no Japão, oferecendo ao longo de sua operação cerca de 1.900 opções da especialidade. Alguns desses produtos ganharam versões desenvolvidas especificamente para o STEAMA.


É daí que surge uma nuance importante em relação ao número “800”. A comunicação mais recente da SoftBank sobre a EquipHotel afirma que o sistema apresenta receitas provenientes de mais de 800 marcas, enquanto a página específica do produto detalha a relação histórica da TAKUMEN com mais de 800 restaurantes de ramen. Por isso, o dado é mais seguro quando entendido dentro desse ecossistema de restaurantes e receitas da plataforma japonesa, e não simplesmente como 800 marcas já disponíveis simultaneamente em qualquer STEAMA.


Alguns desses restaurantes aparecem inclusive no Michelin Guide, segundo a fabricante.

A aproximação com casas reconhecidas também revela uma característica da estratégia: automatizar o preparo sem depender de uma receita genérica desenvolvida exclusivamente por uma indústria de equipamentos. O prato, o congelamento e o ciclo de finalização passam a formar um único sistema.


O congelado deixa de ser apenas uma solução de conservação


A tecnologia também toca em uma discussão interessante para a indústria de alimentos.


Durante décadas, o congelamento foi tratado principalmente como método de conservação e distribuição. Com equipamentos como o STEAMA, ele passa a funcionar também como parte de uma arquitetura operacional para restaurantes, hotéis, escritórios, lojas de conveniência e outros pontos de alimentação.


O alimento pode ser produzido de maneira centralizada, congelado, distribuído e posteriormente finalizado por um equipamento programado para aquela preparação. Isso reduz a quantidade de decisões que precisam ser tomadas durante o serviço e permite trabalhar com operações menores.


A equação é especialmente atraente para locais nos quais instalar uma cozinha convencional seria caro ou pouco viável.


Em sua apresentação para a EquipHotel, a própria SoftBank cita restrições de espaço, dificuldade para encontrar funcionários qualificados e necessidade de manter consistência entre refeições como problemas que pretende atacar com seus equipamentos. Essas afirmações fazem parte do posicionamento comercial da fabricante e ainda dependem da operação de cada estabelecimento para determinar ganhos reais de produtividade e custo.


Automação entra na cozinha por tarefas específicas


O STEAMA também ajuda a entender para onde parte da robótica aplicada à gastronomia está caminhando.


A imagem futurista de uma cozinha completamente operada por robôs dá lugar, pelo menos neste estágio do mercado, a máquinas especializadas em determinadas etapas.


No portfólio que a SoftBank Robotics levará a Paris, essa divisão fica evidente. O STEAMA trabalha com finalização por vapor. O FLAMA automatiza processos como adição de ingredientes, temperos, cocção, mistura e empratamento. Já o BOTINKIT Omni foi projetado para operações de maior volume e pode produzir até 30 porções simultaneamente. A empresa também apresentará o Servi Q, desenvolvido para transportar pratos pelo salão.


A cozinha automatizada surge, portanto, como um conjunto de equipamentos especializados, cada um retirando etapas específicas da operação manual.


Essa lógica pode ser mais fácil de incorporar ao foodservice do que substituir uma cozinha inteira de uma só vez.


O STEAMA começou a sair das feiras


A expansão internacional do equipamento ganhou ritmo em 2026.


Em maio, a SoftBank Robotics apresentou STEAMA e FLAMA ao mercado norte-americano durante a National Restaurant Association Show, em Chicago. Na ocasião, a companhia descreveu o lançamento como parte de sua estratégia de expansão do negócio de automação para alimentação fora do Japão.


Em 3 de setembro, a SoftBank Robotics Group anunciou ainda um investimento na norte-americana Yo-Kai Express com o objetivo de adquirir uma licença comercial global exclusiva para determinadas propriedades intelectuais da empresa. O acordo está relacionado à expansão internacional do STEAMA, cuja tecnologia é produzida pela SoftBank sob licença da Yo-Kai Express.


Poucos dias depois, em 7 de setembro, a companhia anunciou a instalação permanente do equipamento no complexo Spa World, em Osaka. Segundo a empresa, foi a primeira instalação permanente do STEAMA acessível ao público em uma instalação desse tipo no oeste do Japão.


Agora, a apresentação na EquipHotel coloca a Europa no roteiro de expansão.


A tecnologia para restaurantes começa antes do robô


Existe um aspecto particularmente relevante nesse modelo: a automação não está apenas no equipamento.


Para que uma refeição saia da máquina em aproximadamente 90 segundos com características previsíveis, produto, congelamento, embalagem, receita e processo térmico precisam ter sido pensados em conjunto.


Isso aproxima fabricantes de equipamentos, empresas de tecnologia, restaurantes e indústria de alimentos.


Para redes de alimentação, hotéis ou pontos de venda com grande circulação, essa integração pode representar uma nova forma de desenhar cardápios. Em vez de desenvolver uma receita e depois encontrar equipamentos capazes de reproduzi-la, parte do desenvolvimento pode acontecer já considerando como aquela preparação será congelada, distribuída e finalizada automaticamente.


O efeito sobre a gastronomia dependerá do tipo de operação. Restaurantes em que a habilidade do cozinheiro e a preparação diante do cliente fazem parte da proposta dificilmente enxergarão uma máquina desse tipo da mesma forma que uma praça de alimentação, hotel, aeroporto ou estabelecimento que precisa servir refeições durante muitas horas do dia.


É justamente nessa diferença que o STEAMA se torna mais interessante como tecnologia de foodservice.


O objetivo não precisa ser substituir toda a cozinha. Em muitos casos, basta automatizar uma etapa repetitiva e tornar viável servir determinado prato onde antes seria necessário instalar equipamentos, contratar profissionais especializados e estruturar uma operação muito maior.


A evolução do STEAMA fora do Japão será um teste importante para esse modelo. Se a tecnologia conseguir combinar velocidade, variedade de pratos, consistência e uma operação economicamente atraente, o verdadeiro produto talvez não seja apenas o robô. Será o sistema formado por receita, alimento congelado, distribuição e finalização automatizada no ponto de consumo.

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