Petí reabre no MAM: café, almoço e arte no novo endereço do Ibirapuera

Um dos restaurantes que ajudaram a aproximar cozinha autoral e preços mais acessíveis da cena gastronômica paulistana está de casa nova. O Petí reabre no MAM, no Parque Ibirapuera, em 12 de setembro, ocupando o espaço gastronômico do Museu de Arte Moderna de São Paulo e ampliando consideravelmente sua proposta. Depois de mais de uma década em Perdizes, onde funcionava de maneira quase escondida nos fundos de uma loja de materiais para pintura, o restaurante passa agora a conviver diretamente com um dos principais polos culturais e de lazer de São Paulo. A mudança não representa apenas um novo endereço: altera a escala da casa, o ritmo de funcionamento e até a relação do Petí com o público.
Comandado pelo chef Victor Dimitrow e pela restauratrice Bárbara Camargo, o restaurante mantém elementos que fizeram parte de sua identidade desde a abertura, como o uso de ingredientes brasileiros, a atenção à sazonalidade e a construção de pratos a partir de contrastes de sabor e textura. Ao mesmo tempo, a chegada ao MAM exige uma operação mais abrangente. Quem estiver no parque poderá passar pelo restaurante para tomar um café, fazer uma pausa durante a visita ao museu ou sentar para um almoço mais elaborado — e o acesso ao Petí será independente da entrada nas exposições.
Essa nova configuração coloca o Petí em uma posição interessante dentro do Ibirapuera. Em vez de funcionar apenas como restaurante de destino, passa também a fazer parte da rotina de quem circula pelo parque, dos visitantes do museu e de quem procura um endereço para comer bem sem necessariamente programar uma experiência gastronômica de várias horas.
Do pequeno restaurante em Perdizes a um salão para 84 pessoas
A mudança de escala é significativa. No endereço anterior, na Rua Cotoxó, o Petí ganhou fama justamente por seu caráter discreto e pouco convencional. O salão ficava nos fundos de uma loja ligada ao universo das artes, tinha poucas mesas e apresentava menus que mudavam com bastante frequência. No MAM, o restaurante passa a ter capacidade para 84 pessoas, praticamente dobrando sua operação e exigindo uma adaptação da cozinha para um fluxo bastante diferente daquele encontrado em Perdizes.
A ligação com a arte, no entanto, não desaparece com a mudança. Pelo contrário. O novo endereço reforça uma relação que já fazia parte da história do Petí. Fundado em 2015, o restaurante nasceu em meio a materiais de pintura e sempre tratou criatividade e apresentação como elementos importantes da experiência. Dentro do Museu de Arte Moderna, essa aproximação ganha uma nova dimensão, já que a equipe pretende desenvolver pratos e menus relacionados às exposições apresentadas pela instituição.
Para Dimitrow, a mudança também representa uma evolução natural da trajetória do restaurante. O chef é formado em gastronomia pela Universidade Anhembi Morumbi, especializou-se no Institut Paul Bocuse, em Lyon, e passou por cozinhas europeias como Le Chateaubriand, em Paris, Patrick Guilbaud e Camden Kitchen, em Dublin. Em São Paulo, consolidou uma cozinha própria, na qual referências de alta gastronomia aparecem combinadas a produtos brasileiros e preparações menos previsíveis.
Café da manhã, almoço e café da tarde ampliam a experiência do Petí
Uma das principais diferenças do Petí no MAM está nos horários e momentos de consumo. O restaurante foi pensado para acompanhar o ritmo do museu e do Parque Ibirapuera, oferecendo opções ao longo do dia em vez de concentrar a experiência exclusivamente no almoço. O serviço prevê café da manhã, almoço e café da tarde, enquanto os fins de semana devem ganhar também um menu especial de brunch.
Entre 10h e 18h, a proposta inclui cafés preparados com grãos da Pato Rei, além de pão de queijo, bolos, sanduíches e outras opções para refeições rápidas. Entre as novidades está um drinque de café com xarope de batata-doce roxa, vendido por R$ 22, uma combinação que já sinaliza a maneira como o Petí pretende equilibrar itens familiares com ingredientes ou técnicas menos óbvias.
Para acompanhar, aparece a broa de milho com mousse de fígado de frango e geleia de jabuticaba, servida em três unidades por R$ 39. A preparação recebe ainda uma camada de craquelin, acrescentando textura crocante à massa. É um exemplo bastante claro da lógica que acompanhou a cozinha de Dimitrow ao longo dos últimos anos: partir de sabores reconhecíveis, mas reorganizá-los dentro de uma composição mais elaborada.
No almoço, ingredientes brasileiros continuam no centro do cardápio
O almoço será servido das 12h às 16h e mantém parte da personalidade construída pelo Petí no endereço anterior. A diferença está em uma seleção inicialmente mais estável, com cardápios de duração maior e mudanças orientadas pelas estações do ano. A estratégia substitui o ritmo bastante acelerado de Perdizes, onde os menus eram alterados aproximadamente a cada 20 dias.
Entre as entradas previstas nas primeiras semanas estão a sopa fria de açaí com beterraba, por R$ 54, o ovo caipira mollet, por R$ 52, e o carpaccio de atum, por R$ 64. A escolha dos ingredientes ajuda a mostrar que, apesar do aumento da operação, o restaurante não abandonou as combinações que fizeram sua cozinha ser reconhecida. O açaí, por exemplo, aparece distante da leitura habitual de sobremesa ou acompanhamento doce e passa para uma preparação salgada ao lado da beterraba.
Nos principais, alguns pratos recuperam receitas que já haviam passado pela cozinha do Petí. O peito de pato curado, por R$ 137, chega acompanhado de purê de batata-doce laranja, couve kale tostada e molho rôti preparado com tucupi preto. O resultado combina gordura, dulçor, notas tostadas e acidez em uma composição que preserva a cozinha de contrastes pela qual Dimitrow ficou conhecido.
Outro prato que atravessa a mudança de endereço é o filé-mignon Angus com crosta de tutano, agora servido por R$ 126, acompanhado de purê de batata com tucupi e cebola roxa grelhada. Há também peixe do dia, que pode variar entre espécies como olhete, olho-de-boi, pescada-amarela e prejereba, servido com espaguete de tinta de lula, beurre blanc de palmito, tartare de coco verde e alcachofra.
A escolha revela uma característica importante do novo Petí: apesar de trabalhar com uma estrutura maior e preparações um pouco mais permanentes, os ingredientes nacionais continuam funcionando como parte central da identidade do restaurante, muitas vezes combinados a técnicas clássicas da cozinha europeia.
Sobremesas mantêm espaço para combinações menos óbvias
Se alguns dos pratos principais ganham uma construção mais direta para atender ao novo perfil de público, as sobremesas continuam oferecendo espaço para combinações inesperadas. Uma delas une ganache de melado de bracatinga e crumble de alho negro, por R$ 42. O melado traz doçura e profundidade, enquanto o alho negro acrescenta notas adocicadas, fermentadas e levemente balsâmicas à preparação.
Outra opção é a panacota de camomila com calda de jenipapo, por R$ 44. Aqui, a base clássica italiana recebe ingredientes ligados ao repertório botânico e alimentar brasileiro, seguindo uma linha recorrente na cozinha de Dimitrow: técnicas reconhecidas servem de ponto de partida, mas dificilmente chegam à mesa sem alguma interferência que altere a experiência esperada.
Gastronomia e exposições devem dividir o mesmo repertório
A localização dentro do MAM abre uma possibilidade que vai além da conveniência de comer dentro do Parque Ibirapuera. O restaurante pretende desenvolver pratos e menus inspirados nas exposições do museu, criando uma conexão direta entre aquilo que está apresentado nas salas e o que chega à mesa.
A estreia acontece justamente durante um momento importante para a instituição. O MAM volta a receber o público em sua sede em 12 de setembro, depois de permanecer fora do edifício desde agosto de 2024 em razão das intervenções na marquise do Ibirapuera. A reabertura também marca o início da 39ª edição do Panorama da Arte Brasileira, uma das exposições mais importantes da programação do museu.
Para o Petí, essa proximidade cria matéria-prima para algo que o restaurante já explorava mesmo quando estava distante fisicamente do museu: interpretar referências visuais por meio da comida. Agora, o diálogo pode acontecer de maneira muito mais direta. Uma visita ao MAM pode começar diante de uma obra e terminar em um prato desenvolvido a partir daquele mesmo universo estético, conceitual ou material.
O novo Petí também muda de faixa de preço
Quem frequentava o antigo endereço deve perceber outra mudança importante: os preços subiram. Em Perdizes, o Petí ficou conhecido durante anos por oferecer cozinha autoral em uma faixa relativamente competitiva para o padrão dos restaurantes gastronômicos de São Paulo. Antes da mudança, uma sequência formada por entrada, prato principal e sobremesa ficava próxima dos R$ 100 em determinadas configurações.
No MAM, a operação parte de outra realidade. A reforma do espaço consumiu aproximadamente R$ 2 milhões, e o investimento também passou por decoração, louças e adequação da estrutura para receber um volume maior de clientes. Além disso, pelo menos neste início, o antigo formato de menus fechados em três etapas deixa de ser o centro da proposta, abrindo espaço para pedidos à la carte.
Essa transformação aproxima o restaurante de uma experiência gastronômica de ticket médio mais alto, especialmente no almoço completo. Ao mesmo tempo, o serviço de café, lanches e opções de menor formato cria outras portas de entrada para quem quiser conhecer o Petí sem necessariamente fazer uma refeição completa.
Serviço - Petí no MAM
Petí no MAM
Museu de Arte Moderna de São Paulo — MAM
Parque Ibirapuera - Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº — Portão 3 — São Paulo, SP Abertura: 12 de setembro de 2026
Café e lanches: das 10h às 18h
Almoço: das 12h às 16h
Finais de semana: previsão de brunch especial
Acesso ao restaurante: independente da visita às exposições do MAM.





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