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Mixue x Starbucks: dois modelos opostos de sucesso no mercado

Atualizado: há 4 dias

Duas mãos segurando sorvetes no shopping, um de casquinha de waffle da mixue e outro de frappuccino da Starbucks com chantilly, na frente de uma loja Mixue Snowflake.

Enquanto a Starbucks construiu seu império com base em experiência, permanência e valor simbólico, a Mixue cresce apostando em escala, preço acessível e alto giro. Entender essas diferenças é essencial para compreender o impacto da chegada da Mixue ao Brasil — e o que ela pode (ou não) mudar no mercado.


Starbucks: vender mais do que café, vender tempo e status


Desde sua expansão global, a Starbucks nunca se posicionou apenas como uma cafeteria. Seu principal produto não é o café, mas a experiência de consumo prolongado.


As lojas são desenhadas para que o cliente:

  • permaneça mais tempo no espaço

  • trabalhe, socialize ou faça pausas longas

  • associe a marca a conforto e status urbano


Esse modelo permite ticket médio elevado, mesmo com produtos que, em termos de custo, não diferem radicalmente do mercado. O valor está no contexto: nome escrito no copo, ambientação, música, wi-fi, padronização global.


Do ponto de vista estratégico, a Starbucks aposta em:

  • menor rotatividade por cliente

  • maior margem por venda

  • frequência emocional, não diária para todos


É um modelo sólido, mas que depende fortemente de renda disponível e de uma cultura de consumo aspiracional.



Mixue: quando o produto é o centro da equação


A Mixue opera sob uma lógica quase inversa. Seu crescimento não se apoia em permanência no ponto de venda, mas em volume de vendas e recorrência.


O foco está em:

  • consumo rápido

  • preços extremamente acessíveis

  • cardápio simples e altamente replicável

  • lojas menores, com custo operacional reduzido


O cliente não vai à Mixue para ficar. Ele vai para comprar, consumir e sair. Isso reduz custos fixos, acelera o fluxo e permite expansão agressiva — especialmente em regiões de alto tráfego urbano.


O sucesso da Mixue está em entender que, para uma parcela enorme do mercado, o preço é o principal fator de decisão, desde que o produto seja minimamente satisfatório e visualmente atrativo.

Critério

Mixue

Starbucks

Preço médio

Baixo

Alto

Frequência

Alta

Moderada

Experiência

Funcional

Sensorial

Público

Jovem e popular

Jovem-adulto premium


Escala versus valor percebido: duas formas de crescer


A diferença central entre Mixue e Starbucks está em como cada marca constrói valor.


A Starbucks cria valor ao:

  • transformar o consumo em ritual

  • elevar o café a símbolo cultural

  • justificar preços altos por experiência


A Mixue cria valor ao:

  • tornar o consumo frequente possível

  • reduzir barreiras de entrada

  • transformar sobremesa em hábito cotidiano


Nenhuma das duas estratégias é “melhor” — elas apenas respondem a públicos, momentos e contextos econômicos distintos.




Público-alvo: não é sobre idade, é sobre comportamento


É comum associar a Mixue a um público jovem e a Starbucks a adultos urbanos. Mas a diferença real não está na idade, e sim no comportamento de consumo.


A Starbucks atende consumidores que:

  • aceitam pagar mais por conveniência simbólica

  • valorizam marca como extensão de identidade

  • consomem com menor frequência


A Mixue atrai consumidores que:

  • priorizam custo-benefício

  • consomem com alta frequência

  • não buscam status no consumo


No Brasil, onde o consumidor é altamente sensível a preço, esse segundo grupo é numericamente muito maior — o que explica a atenção do mercado à chegada da marca chinesa.


Por que esses modelos não competem diretamente


Apesar das comparações constantes, Mixue e Starbucks não disputam o mesmo momento de consumo.

  • Starbucks compete por “tempo”

  • Mixue compete por “ocasião”


Um não substitui o outro. Pelo contrário: eles coexistem porque ocupam espaços mentais diferentes na rotina do consumidor.


Esse é um ponto fundamental para entender por que a entrada da Mixue no Brasil não ameaça diretamente marcas premium, mas pressiona redes intermediárias, que não são nem baratas nem aspiracionais.


👉 Essa dinâmica fica ainda mais clara quando analisamos a Mixue no Brasil, seu plano de expansão e posicionamento local.



O que a comparação ensina ao mercado brasileiro


A leitura estratégica de Mixue x Starbucks revela uma lição importante para o mercado nacional: não existe crescimento sem clareza de proposta.


Marcas que tentam:

  • cobrar caro sem entregar experiência

  • competir em preço sem escala

  • agradar todos os públicos tendem a perder relevância.


Mixue e Starbucks crescem porque são extremamente coerentes com aquilo que prometem — e isso vale mais do que qualquer tendência passageira.



Conclusão


A comparação entre Mixue e Starbucks não é sobre qual marca é melhor, mas sobre como estratégias opostas podem gerar sucesso quando bem executadas.


Enquanto a Starbucks domina o território do consumo aspiracional, a Mixue avança com força onde preço, volume e recorrência são decisivos. No contexto brasileiro, entender essa diferença é essencial para analisar o impacto real da chegada da marca chinesa.


E é justamente essa leitura estratégica — e não o hype — que define quem constrói autoridade de verdade no mercado.

1 comentário


Doni
Doni
há 5 dias

Inaugura sua primeira loja no Brasil no Shopping Cidade São Paulo, Avenida Paulista, em março de 2026. Sucesso garantido.

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