Mixue x Starbucks: dois modelos opostos de sucesso no mercado
- Dalton Bermejo Wang

- há 6 dias
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Atualizado: há 4 dias

Enquanto a Starbucks construiu seu império com base em experiência, permanência e valor simbólico, a Mixue cresce apostando em escala, preço acessível e alto giro. Entender essas diferenças é essencial para compreender o impacto da chegada da Mixue ao Brasil — e o que ela pode (ou não) mudar no mercado.
Starbucks: vender mais do que café, vender tempo e status
Desde sua expansão global, a Starbucks nunca se posicionou apenas como uma cafeteria. Seu principal produto não é o café, mas a experiência de consumo prolongado.
As lojas são desenhadas para que o cliente:
permaneça mais tempo no espaço
trabalhe, socialize ou faça pausas longas
associe a marca a conforto e status urbano
Esse modelo permite ticket médio elevado, mesmo com produtos que, em termos de custo, não diferem radicalmente do mercado. O valor está no contexto: nome escrito no copo, ambientação, música, wi-fi, padronização global.
Do ponto de vista estratégico, a Starbucks aposta em:
menor rotatividade por cliente
maior margem por venda
frequência emocional, não diária para todos
É um modelo sólido, mas que depende fortemente de renda disponível e de uma cultura de consumo aspiracional.
Mixue: quando o produto é o centro da equação
A Mixue opera sob uma lógica quase inversa. Seu crescimento não se apoia em permanência no ponto de venda, mas em volume de vendas e recorrência.
O foco está em:
consumo rápido
preços extremamente acessíveis
cardápio simples e altamente replicável
lojas menores, com custo operacional reduzido
O cliente não vai à Mixue para ficar. Ele vai para comprar, consumir e sair. Isso reduz custos fixos, acelera o fluxo e permite expansão agressiva — especialmente em regiões de alto tráfego urbano.
O sucesso da Mixue está em entender que, para uma parcela enorme do mercado, o preço é o principal fator de decisão, desde que o produto seja minimamente satisfatório e visualmente atrativo.
Critério | Mixue | Starbucks |
Preço médio | Baixo | Alto |
Frequência | Alta | Moderada |
Experiência | Funcional | Sensorial |
Público | Jovem e popular | Jovem-adulto premium |
Escala versus valor percebido: duas formas de crescer
A diferença central entre Mixue e Starbucks está em como cada marca constrói valor.
A Starbucks cria valor ao:
transformar o consumo em ritual
elevar o café a símbolo cultural
justificar preços altos por experiência
A Mixue cria valor ao:
tornar o consumo frequente possível
reduzir barreiras de entrada
transformar sobremesa em hábito cotidiano
Nenhuma das duas estratégias é “melhor” — elas apenas respondem a públicos, momentos e contextos econômicos distintos.
Público-alvo: não é sobre idade, é sobre comportamento
É comum associar a Mixue a um público jovem e a Starbucks a adultos urbanos. Mas a diferença real não está na idade, e sim no comportamento de consumo.
A Starbucks atende consumidores que:
aceitam pagar mais por conveniência simbólica
valorizam marca como extensão de identidade
consomem com menor frequência
A Mixue atrai consumidores que:
priorizam custo-benefício
consomem com alta frequência
não buscam status no consumo
No Brasil, onde o consumidor é altamente sensível a preço, esse segundo grupo é numericamente muito maior — o que explica a atenção do mercado à chegada da marca chinesa.
Por que esses modelos não competem diretamente
Apesar das comparações constantes, Mixue e Starbucks não disputam o mesmo momento de consumo.
Starbucks compete por “tempo”
Mixue compete por “ocasião”
Um não substitui o outro. Pelo contrário: eles coexistem porque ocupam espaços mentais diferentes na rotina do consumidor.
Esse é um ponto fundamental para entender por que a entrada da Mixue no Brasil não ameaça diretamente marcas premium, mas pressiona redes intermediárias, que não são nem baratas nem aspiracionais.
👉 Essa dinâmica fica ainda mais clara quando analisamos a Mixue no Brasil, seu plano de expansão e posicionamento local.
O que a comparação ensina ao mercado brasileiro
A leitura estratégica de Mixue x Starbucks revela uma lição importante para o mercado nacional: não existe crescimento sem clareza de proposta.
Marcas que tentam:
cobrar caro sem entregar experiência
competir em preço sem escala
agradar todos os públicos tendem a perder relevância.
Mixue e Starbucks crescem porque são extremamente coerentes com aquilo que prometem — e isso vale mais do que qualquer tendência passageira.
Conclusão
A comparação entre Mixue e Starbucks não é sobre qual marca é melhor, mas sobre como estratégias opostas podem gerar sucesso quando bem executadas.
Enquanto a Starbucks domina o território do consumo aspiracional, a Mixue avança com força onde preço, volume e recorrência são decisivos. No contexto brasileiro, entender essa diferença é essencial para analisar o impacto real da chegada da marca chinesa.
E é justamente essa leitura estratégica — e não o hype — que define quem constrói autoridade de verdade no mercado.




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