Comida de verdade x ultraprocessados: o alerta de Rita Lobo
- Dalton Bermejo Wang

- há 4 dias
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A discussão sobre comida de verdade x ultraprocessados ganhou novos contornos após a participação da chef e apresentadora Rita Lobo no Estúdio CBN. Durante a entrevista, Rita chamou atenção para um fenômeno cada vez mais comum no discurso sobre alimentação saudável: substituir arroz, feijão e carne por termos genéricos como “proteína” e “carboidrato”.
Segundo ela, essa mudança não é apenas de vocabulário. Ela altera profundamente a forma como as pessoas se relacionam com a comida e abre caminho para a substituição da comida de verdade por produtos ultraprocessados, muitas vezes vendidos como soluções saudáveis.
Comida de verdade x ultraprocessados: quando a linguagem muda, o prato também muda
Para Rita Lobo, o problema começa quando a comida deixa de ser reconhecida como alimento e passa a ser vista apenas como uma soma de nutrientes. Nesse raciocínio, arroz, feijão, legumes e carnes perdem identidade e viram apenas “carboidrato”, “proteína” ou “gordura”.
Esse pensamento fragmentado, conhecido como nutricionismo, reduz o alimento à sua função biológica, ignorando o contexto cultural, social e culinário da alimentação. Ao falar apenas de nutrientes, deixamos de pensar em refeições completas e passamos a buscar metas abstratas — o que favorece diretamente os ultraprocessados.
O ponto central de Rita Lobo no debate comida de verdade x ultraprocessados
Durante a conversa no Estúdio CBN, Rita foi direta: quando o foco é apenas bater uma meta de proteína ou evitar carboidrato, qualquer produto pode ocupar esse espaço — inclusive aqueles que não têm nada de comida.
Na prática, isso significa que:
Um prato de arroz, feijão e legumes passa a “competir” com um produto industrial enriquecido.
A refeição perde valor frente a snacks, barras e bebidas “funcionais”.
A indústria ganha espaço ao oferecer soluções rápidas para um problema que ela mesma ajudou a criar.
Para Rita Lobo, esse cenário esvazia o sentido da comida de verdade e enfraquece a autonomia das pessoas sobre o que comem.
Por que o discurso de nutrientes favorece os ultraprocessados
No debate comida de verdade x ultraprocessados, Rita destaca que os ultraprocessados prosperam justamente porque se apropriam da linguagem técnica da nutrição.
Esses produtos não precisam ser reconhecidos como comida. Eles precisam apenas comunicar:
“alto teor de proteína”
“baixo carboidrato”
“zero açúcar”
“com vitaminas adicionadas”
Quando o consumidor passa a escolher nutrientes em vez de alimentos, a comparação deixa de ser justa. A comida de verdade perde espaço para produtos formulados em laboratório, mas embalados como escolhas inteligentes.
Comida de verdade x ultraprocessados no contexto brasileiro
O alerta de Rita Lobo é especialmente relevante no Brasil, um país cuja base alimentar tradicional sempre foi composta por alimentos in natura e preparações simples. Arroz, feijão, legumes, frutas e carnes formam refeições completas, acessíveis e culturalmente enraizadas.
No entanto, à medida que o discurso nutricional se distancia da comida real, cresce a percepção de que comer bem exige produtos caros, tecnológicos e industrializados. Nesse cenário, os ultraprocessados não entram como exceção — entram como regra.
O que Rita Lobo defende no debate comida de verdade x ultraprocessados
A proposta de Rita Lobo não é radical, nem baseada em proibições. Ela defende algo essencial: reconectar as pessoas com a comida de verdade.
Isso significa:
Chamar os alimentos pelo nome.
Valorizar refeições completas.
Cozinhar quando possível.
Desconfiar de soluções industrializadas que prometem “otimizar” a alimentação.
No centro do debate comida de verdade x ultraprocessados, Rita reforça que comer bem não é seguir tendências, mas manter uma relação consciente e cultural com o alimento.
Conclusão MoodFood: comida de verdade x ultraprocessados é uma escolha de linguagem — e de sistema
O debate levantado por Rita Lobo no Estúdio CBN deixa claro que a forma como falamos sobre comida molda a forma como comemos. Quando a linguagem muda, o mercado se adapta — e os ultraprocessados agradecem.
Falar em comida de verdade é um ato político, cultural e prático. Não se trata de ignorar a ciência da nutrição, mas de impedir que ela seja reduzida a slogans de marketing.
No fim, o embate entre comida de verdade x ultraprocessados não acontece apenas no prato, mas no discurso. E recuperar o nome da comida talvez seja o primeiro passo para recuperá-la no dia a dia.




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